Solenidade de Nossa Senhora do Patrocínio

Carta Circular do Superior Geral

 

Caríssimos Irmãos, Colaboradores e membros da Família Hospitaleira de S. João de Deus.

No próximo dia 19 de novembro, terceiro sábado do mês, celebramos na Ordem a Festa do Patrocínio da Virgem Maria, padroeira da nossa Ordem, sobre a nossa Família Hospitaleira de S. João de Deus. Esta festa é a mais importante para nós e, por isso, desejo felicitar-vos e convidar-vos a celebrá-la com alegria e com a devida preparação.

Chamamos-lhe também, desde o Capítulo Geral Extraordinário de 2009, realizado em Guadalajara (México), Rainha da Hospitalidade. Efetivamente, desde o tempo de S. João de Deus, nosso fundador, a Ordem experimentou permanentemente a sua presença e a sua proteção, guiando e acompanhando a vida e a missão que os Irmãos e os Colaboradores espalharam pelos cinco continentes.

Também nos dias de hoje sentimos que a nossa Mãe do Patrocínio vive no meio de nós e na hospitalidade que a nossa Família continua a realizar no mundo inteiro. Durante o ano que agora termina foram vários os momentos e eventos significativos nos quais pudemos contar com a proteção da “sempre inteira”, como Lhe chamava S. João de Deus. Realizámos as conferências regionais, as diferentes visitas canónicas gerais, o encerramento do Ano da Vocação à Hospitalidade com um encontro de formadores de toda a Ordem e, recentemente, a Assembleia de Superiores Provinciais, bem como outros encontros e assembleias de caráter geral. Cada província manteve também a sua dinâmica própria, dinamizando diversos eventos e atividades, tendo sempre em vista promover a hospitalidade evangélica ao serviço dos doentes, dos pobres e dos necessitados.

Como tenho vindo a dizer desde há algum tempo, uma das questões centrais que continuamos a abordar em toda a Ordem é a necessidade de discernir o futuro da nossa instituição. As provas são cada vez mais claras e precisamos de vislumbrar o projeto de Ordem que o Espírito do Senhor nos pede hoje. Não se trata de tornar exteriormente apelativa a situação, mas de introduzir mudanças profundas, primeiramente no projeto de vida dos Irmãos: que vida consagrada, como Irmãos, somos chamados a viver? Precisamos de superar a apatia e de sermos audazes para darmos respostas inovadoras, que nos abeirem dos doentes e dos que sofrem. Também as estruturas devem oportunamente ser revistas. Até quando seremos capazes de continuar a animar, nas condições atuais, todas as obras apostólicas da instituição? Há muitas questões que aguardam respostas corajosas e generosas da nossa parte, mas que exigem, primeiro, a consciência de que é necessário e queremos encetar tal discernimento que, a meu ver, é necessário e imprescindível.

Em tudo, e especialmente neste processo, Nossa Senhora do Patrocínio também nos tem acompanhado e apoiado. A Ela recorremos para que ilumine a nossa vida e percorra connosco o caminho, tal como fez com a primeira comunidade apostólica, com a qual partilhava a vida e a oração (cf. Heb 1.14).

No dia seguinte à celebração da nossa Festa, 20 de novembro, terá lugar o encerramento do Ano Jubilar da Misericórdia, quando a Igreja celebra a Festa de Cristo, Rei do universo. Por isso, neste ano é também importante fazer referência à nossa Mãe, como Mãe de Misericórdia e Mãe da Consolação. Ela experimentou a misericórdia e a consolação na sua própria vida, quando recebeu a graça do amor infinito de Deus. De Cristo misericordioso aprendeu e integrou no seu ser a misericórdia e a consolação de Deus. Ela, Mãe dos crentes, é especialmente misericordiosa para com os seus filhos mais carenciados, para os quais implora e por eles intercede diante de Deus. Ela ensina-nos a todos a sermos misericordiosos, porque todos somos seus filhos e, portanto, irmãos, pois todos precisamos de misericórdia e ninguém tem o direito de o não ser com os seus irmãos.

Ela aprendeu ao pé da Cruz a confortar o seu Filho quando perdia a vida (Cf Jo 19, 25). Ela está sempre presente ao pé das cruzes de todos os seus filhos que sofrem: as pessoas doentes, pobres e necessitadas. A todos oferece a sua presença, a sua proteção e a sua consolação. Por isso, de modo particular na Festa da nossa Mãe do Patrocínio pedimos que Ela continue a estender a sua mão sobre as pessoas que sofrem e as suas famílias e, especialmente, que continue a permanecer ao pé da cruz dos doentes, dos emigrantes, dos refugiados, das pessoas abandonadas, das vítimas de guerras e da violência... Que a ninguém falte a mão consoladora e misericordiosa da nossa Mãe. Oxalá que todos os membros da nossa Família Hospitaleira de S. João de Deus aprendam com Nossa Senhora a ser misericordiosos e a consolar as pessoas que sofrem e que encontramos no caminho da nossa vida.

Em meu nome pessoal e de toda a Cúria Geral, desejo a todos uma feliz celebração da solenidade de Nossa Senhora do Patrocínio e peço-Lhe que abençoe a nossa amada Ordem e todos os membros da Família Hospitaleira de S. João de Deus.

Com um abraço fraterno,

Ir. Jesús Etayo

Superior Geral 

 

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