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martedì 31 marzo 2026 -  Imposta home -  Aggiungi preferiti
POR
Páscoa 2026
Carta Circular do Superior Geral


“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” (Jo 14,27)

 

A toda a Família Hospitaleira de São João de Deus


Caríssimos,

A celebração da Santa Páscoa reconduz-nos ao centro do mistério da nossa fé; mais ainda, convida-nos a entrar nela para nos tornarmos participantes, já, aqui e agora, da ressurreição do Senhor, do seu destino de glória. Para nós, Família Hospitaleira de São João de Deus, celebrar a Santa Páscoa significa voltar ao coração do carisma de João de Deus: um carisma pascal que nos abre à hospitalidade na sua forma mais autêntica — renascer para uma vida nova.

Gosto de pensar que todas as pessoas que entram nas nossas Obras apostólicas ou nas nossas comunidades, e que se aproximam de nós à procura de cuidado ou de ajuda, possam fazer a experiência da bondade e da beleza do carisma pascal que nos foi dado: um carisma que se exprime nas diversas tonalidades do amor de Deus pela humanidade.

No dia de Páscoa, a liturgia faz-nos cantar: Mors et vita duello conflixere mirando: dux vitae mortuus, regnat vivus. A morte e a vida enfrentaram-se num admirável duelo: o Senhor da vida, morto, reina vivo. O Senhor Ressuscitado abriu-nos as portas da vida eterna; venceu o mal. Com a sua ressurreição, o Senhor inaugurou um tempo novo que ilumina a nossa vida de cristãos e abriu para nós um novo caminho que orienta a nossa existência para a meta eterna. O amor do Pai pela humanidade ressuscitou Cristo dos mortos, e é precisamente no amor que somos chamados a caminhar, porque só movidos por um amor verdadeiro conseguiremos percorrer caminhos novos para uma hospitalidade renovada.

Santo Agostinho fez do amor o centro do seu pensamento. Ele escreve que é o amor que põe a alma em movimento, é o amor que lhe dá força e vida, conduzindo-a ao seu “lugar natural”: o meu peso é o meu amor; por ele sou levado para onde quer que ele me leve (Confissões, XIII, 9).

Estou convencido de que esta experiência agostiniana é a mesma que chamou João de Deus à vida, passando da experiência do pecado ao dom da graça, tornando-o um homem novo e revestindo-o com o dom da hospitalidade.

Caríssimos, como filhos e irmãos de João de Deus, desejamos seguir as pegadas deixadas pelo nosso Santo, que nos indica o caminho seguro para renovar a hospitalidade através da escuta da Palavra de Deus, que sempre suscita pensamentos de vida nova.

A este respeito, é iluminadora uma reflexão do Papa Leão XIV: aquilo que a Igreja deseja ardentemente é que a Palavra de Deus possa chegar a cada um dos seus membros e alimentar o seu caminho de fé. Mas a Palavra de Deus impele também a Igreja para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão para com todos. De facto, vivemos rodeados de muitas palavras, mas quantas delas são vazias? Por vezes ouvimos também palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino último. A Palavra de Deus, pelo contrário, vem ao encontro da nossa sede de sentido e de verdade sobre a nossa vida. É a única Palavra sempre nova: ao revelar-nos o mistério de Deus, é inesgotável e nunca deixa de oferecer as suas riquezas (Audiência geral, 11 de fevereiro de 2026).

Deus nunca deixa de nos oferecer as suas riquezas, e entre elas não podemos ignorar aquilo que hoje nos pede, para que cada gesto de hospitalidade não seja outra coisa senão um anúncio do Evangelho, e que a cada palavra de hospitalidade corresponda um gesto de amor que oriente para o Reino de Deus. A nossa tradição hospitaleira ensina-nos que a hospitalidade nunca se reduziu a um conceito nem se cristalizou em gestos repetitivos; pelo contrário, evoluiu sempre em formas novas, adaptando-se às necessidades dos tempos e das pessoas, porque a nossa missão é anunciar o Reino de Deus no meio dos pobres e dos doentes.

Caminhar em frente significa deixar o túmulo, deixar ambientes seguros que até ontem pareciam dar-nos estabilidade, mas que, na realidade, em muitos casos se tornaram túmulos onde já não há vida, onde não houve ressurreição. Jesus ressuscitado chama-nos a sair das nossas seguranças e a abrir-nos à escuta da sua Palavra, que cria sempre algo novo.

Caríssimos, somos chamados a escutar o Espírito do Ressuscitado, a fundamentar a nossa vida no acontecimento da ressurreição; Cristo ressuscitou e voltou à vida sem alarido, sem gestos espetaculares, mas fazendo-se presente aos seus discípulos, acompanhando-os no caminho de Emaús e ajudando-os a compreender as Escrituras. Creio que a nossa missão deve assumir este estilo, onde a nossa presença seja mais significativa para a vida dos pobres e dos doentes, em vez de sermos como cata-ventos que fazem muito barulho sem oferecer um verdadeiro contributo evangélico e social. A nossa missão exige muitas energias, que gastamos com alegria, mas queremos que sejam expressão de uma vida autenticamente evangélica. Como escreveu o Profeta: Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso trabalho naquilo que não sacia? (Is 55,2). Invistamos os nossos recursos no Reino de Deus; só assim poderemos ter a certeza de sermos acompanhados pelo Ressuscitado que caminha connosco pelos caminhos da Hospitalidade.

A todos, os meus votos de uma Santa Páscoa, e que possais experimentar na vossa vida a luz e a paz que o Ressuscitado oferece a todos os que o acolhem.

 

Santa Páscoa 2026!

 

Ir. Pascal Ahodegnon, O.H.

Superior Geral

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